quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nostalgia

Sempre tem um diazinho das nossas vidas que inventamos de organizar as coisas, jogar um monte de coisa fora, ou seja, fazer um geral no que está fora de ordem. Hoje foi a minha vez.

No caos intermitente que estava o meu quarto, fui tentar organizar. Me deparei com diversas lembranças. Fotos antiqüíssimas de momentos inesquecíveis, de momentos que nem lembro de como foram. Dos sorrisos com os amigos de escola, músicas com os amigos do colegial. Cartinhas das melhores amigas. Festinhas de aniversário com a família. Pessoas que Deus quis que estivesse com Ele agora. NOSTALGIA.

São tempos e pessoas que não voltam mais. Que de maneira singela permanecem na memória e no coração.
Foram e são pessoas que fizeram e fazem a diferença. Que por passagens mesmo que curtas deixaram sua marquinha nessa minha longa estrada. Digo longa pelo que já caminhei, e não pelo que está por vir. Não sabemos nem o que vai acontecer daqui a 5 segundos, quem dirá mais a frente.

Passei um bom tempo olhando essas formas de lembrança.. em alguns momento deu vontade de chorar, outros de rir, mais ainda, de brigar comigo pelas coisas que fiz, atitudes que tomei, agindo com uma verdadeira idiota. Mas essa é a arte de viver, quem nunca errou que atire a primeira pedra. Cadê? Alguém se manifesta? Creio que não.

Acho que as lembranças servem para isso. Que nós nunca esqueçamos de que já fomos e possamos mudar os roteiros das nossas vidas, escrevendo um novo presente e aguardando as surpresas de um futuro melhor.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O último.

"Eu me descubro ainda mais feliz a cada pedaço seu e de tudo o que é seu.
Eu amo tanto o seu banheiro com as combinações em verde e a chuva fina do chuveiro, que chorei essa manhã enquanto você tomava taffman-e e ouvia música eletrônica.
Às vezes você é tão bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer.
Eu queria assinar um contrato com Deus: se eu nunca mais olhar para homem nenhum no mundo, será que ele deixa você ficar comigo pra sempre?
Eu descobri que tentar não ser ingênua é a nossa maior ingenuidade, eu descobri que ser inteira não me dá medo porque ser inteira já é ser muito corajosa, eu descobri que vale a pena ficar três horas te olhando sentada num sofá mesmo que o dia esteja explodindo lá fora. E quando já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca, e começo a querer coisas que eu nem sabia que existiam.
Quando a gente foi ver o pôr-do-sol na Praça pôr-do-sol, eu, você e a Lolita, a minha cachorrinha mala, e a gente ficou abraçado, e a gente se achou brega demais, e a gente morreu de rir, eu senti um daqueles segundos de eternidade que tanto assustam o nosso coração acostumado com a fugacidade segura dos sentimentos superficiais.
Eu olhei para você com aquela sua jaqueta que te deixa com tanta cara de homem e me senti tão ao lado de um homem, que eu tive vontade de ser a melhor mulher do mundo.
E eu tive vontade de fazer ginástica, ler, ouvir todas as músicas legais do mundo, aprender a cozinhar, arrumar seu quarto, escrever um livro, ser mãe. E aí eu só olhei pra bem longe, muito além daquele Sol, e todo o meu passado se pôs junto com ele. E eu senti a alma clarear enquanto o dia escurecia.
Eu te engoli e você é tão grande pra mim que eu dedico cada segundo do meu dia em te digerir. E eu não tenho mais fome, e eu tenho que ter fome porque eu não quero você namorando uma magrela. E eu sonhei com você e acordei com você, e eu te olhei e falei que eu estava muito magrela, e você me mandou dormir mais, e me abraçou.
Eu preciso disfarçar que não paro mais de rir, mas aí olho pra você e você também está sempre rindo. Se isso não for o motivo para a gente nascer, já não entendo mais nada desse mundo.
E eu tento, ainda refém de algumas células rodriguianas que vez ou outra me invadem, tentar achar defeito na gente, tentar estragar tudo com alguma sujeira. Mas você me deu preguiça da velha tática de fuga, você me fez dormir um CD inteiro na rede e quando eu acordei o mundo inteiro estava azul.
Engraçado como eu não sei dizer o que eu quero fazer porque nada me parece mais divertido do que simplesmente estar fazendo. Ainda que a gente não esteja fazendo nada.
Eu, que sempre quis desfilar com a minha alegria para provar ao mundo que eu era feliz, só quero me esconder de tudo ao seu lado.

Eu limpei minhas mensagens, eu deletei meus emails, eu matei meus recados, eu estrangulei minhas esperas, eu arregacei as minhas mangas e deixei morrer quem estava embaixo delas. Eu risquei de vez as opções do meu caderninho, eu espremi a água escura do meu coração e ele se inchou de ar limpo, como uma esponja. Uma esponja rosa porque você me transformou numa menina cor-de-rosa.
Você me transformou no eufemismo de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança. Você quebrou minhas pernas, me fez comprar um vestido cheio de rendas e babados, tirou as pedras da minha mão.

Você diz que me quer com todas as minhas vírgulas, eu te quero com o meu ponto final."


Tati Bernardi.
Texto de autoria da Tati. Como muitas partes tem a ver comigo postei ele por inteiro. :)